sexta-feira, 6 de março de 2015

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Pela primeira vez, chegamos a um planeta anão. Dê um oi para Ceres

planeta anão 

   A sonda Dawn entrou hoje em órbita do planeta anão Ceres (dia 6), tornando-se a primeira sonda a orbitar um objeto dessa classificação. Depois de 7 anos e meio, e cerca de 5 milhões de km de viagem, podemos dizer que Dawn chegou em sua verdadeira casa.

   E embora você pense que não há nada de interessante num planeta anão (que já foi classificado como planeta e depois asteroide), vou te mostrar que essa sonda ainda vai trazer muitas surpresas.

planeta anão
   A entrada da sonda na órbita de Ceres ocorreu às 9h39min (horário de Brasília) e foi uma manobra sem muito risco, devido ao fato da sonda usar propulsores iônicos. Esses motores dão a sonda uma aceleração bem pequena (ela é impulsionada por jatos de íons acelerados) comparada aos outros foguetes convencionais, mas por causa disso, consomem muito pouco combustível e assim funcionam por anos. No final, a aceleração cedida é muito grande. Com a vantagem da sonda ser "manobrável" no espaço. No momento da manobra, a comunicação da sonda não foi recebida, pois ocorreu quando Ceres estava entre a Terra e a sonda Dawn.


   A partir de agora serão 16 meses de exploração, com início completo no final de abril. A sonda ficará a 13,5 mil km de altitude. Mas, ao longo da missão, a sonda fará rasantes de até 400 km acima da superfície (essa é a altura da Estação Espacial, que está em órbita da Terra). A inserção orbital completa durará cerca de 2 semanas.

   Para começar, as ultimas imagens enviadas pela Dawn, antes mesmo da sonda entrar em órbita, mostram pequenos pontos brilhantes na superfície de Ceres. Na imagem abaixo é possível vê-los. A resposta para essa questão ainda não é definitiva, mas a melhor hipótese levantada é que sejam grandes depósitos de água e sais, que ficaram a mostra devido a algum impacto em sua superfície. Essa hipótese é fortemente corroborada pelas observações feitas pelo Telescópio Espacial Herschel (ESA), que no ano passado detectou suaves emissões de vapor d’água emanando de algumas regiões de Ceres. Mas, existem muitos pontos brilhantes e se fosse gelo, com a temperatura que a superfície atinge com o Sol, ele facilmente derreteria. E sem contar que apenas 40% da luz solar é refletida ao espaço (se fosse gelo, teria que ser 100%). E se estiver dentro de crateras, por que elas brilham mesmo quando o Sol não está iluminando-as diretamente?

planeta anão
   Mas também existe a hipótese de vulcanismo (vulcões criogênicos), um vulcão que expele gelo. Contudo, essa hipótese sofre resistência devido ao fato das bordas das formações brilhantes não terem algum tipo de sedimentação ou deposição, esperado num evento vulcânico. Mas A própria estrutura interna e superficial de Ceres é igualmente fascinante. Embora seja o maior objeto do Cinturão de Asteroides (região entre Marte e Júpiter), e sua massa representar quase 1/3 da massa total dos asteroides dessa região; comparativamente, ele possui só 4% da massa da nossa Lua, mas mesmo assim suficiente para dar-lhe a forma esférica (devido ao equilíbrio hidrostático).


   O planeta anão é formato por um núcleo rochoso, envolto em um manto de 100 km de gelo! Para comparar, existe mais água em Ceres (cerca de 25% de todo o planeta anão), do que a Terra tem de água doce. Sua superfície é relativamente quente, para sua distância ao Sol, e quando o Sol está bem no alto, chega a -38 ºC. O dia lá dura apenas 9 horas, devido a sua rotação.

   A presença de compostos orgânicos e a abundância de gelo desperta o interesse da astrobiologia para Ceres. Alguns fatores, como a energia solar recebida pelo planeta anão, a troca de material entre as camadas inferiores e a superfície (pelo vulcanismo) e a grande quantidade de corpos menores do Sistema Solar exterior que eventualmente colidem com Ceres, podem favorecer a existência de vida no planeta anão.

   Outro mistério que faz de Ceres objeto de estudo é que ele é um fóssil remanescente da formação do Sistema Solar.

   Ceres é tido como um “planeta embrionário”. Assim, tinha tudo para se formar e crescer, agregando material, até se tornar um planeta rochoso. Mas além do material disponível, tinha Júpiter para atrapalhar o crescimento e ele acabou ficando nos 950 km de diâmetro.

   Tirando essa interrupção, que levou Ceres a ficar pequeno, suas características físicas são as mesmas de um planeta rochoso: ele tem forma esferoide, seu interior sofreu diferenciação, ou seja, o material em seu interior foi se separando e formando camadas de acordo com suas características físicas ou químicas tal como na Terra e possui até água! O mesmo teria acontecido com Vesta, outro habitante do Cinturão de Asteroides, mas que não possui água.

   O que teria feito com que esses dois objetos, que se formaram de maneira quase igual, no mesmo ambiente, evoluíssem de maneira que um cresceu mais que o outro e ainda conseguiu reter água? Essas são as questões que a missão Dawn da NASA tenta responder. E nós vamos ter que aguardar...

   O nome Ceres vem da deusa romana que representa a mãe da terra. Foi descoberta por Giuseppe Piazzi do Observatório de Palermo, em 1 de janeiro de 1801. Ceres completa a sua revolução em torno do Sol em 4,6 anos terrestres e tem um diâmetro estimado de 960 km, porém as observações a este corpo celeste foram curtas devido a enfermidade de Giuseppe Piazzi. Carl Friedrich Gauss, que tinha a idade de 24 anos, resolveu uma sistema de 17 equações lineares e conseguiu determinar a órbita de Ceres e isso permitiu a sua redescoberta, que foi um fato notável para aquela época. Apos um ano de observações, ambos Heinrich Olbers e Franz von Zach foram capazes de localizar Ceres.

   Muita coisa ainda está por vir, e a missão está apenas começando! A China planeja uma missão para retorno de amostra de Ceres que ocorreria durante a década de 2020. E só para lembrar: em julho, a sonda New Horizons chegará a Plutão. 

   Esse ano é o ano dos planetas anões.



Fonte: Da Terra Para As Estrelas
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